Um dia perguntei ao sol: que fazes
Pra fugir no eterno alvorecer?
O astro divino respondeu, brilhando
- ajudar e esquecer.
Interroguei à arvore: que fazes
Para florir, amar e frutescer?
Ela, embora ferida, falou calma
- ajudar e esquecer.
Interpelei, depois o pão: que fazes
Para ser vida e bênção no dever?
O pão amigo acrescentou, sereno
- ajudar e esquecer
E disse à fonte límpida: que fazes
Para dar-te à renuncia por fazer?
Atada ao solo, resumiu cantando:
- ajudar e esquecer.
A própria terra consultei: que fazes
Para tudo alentar e refazer?
Maternalmente, replicou, bondosa:
- ajudar e esquecer.
Alma, se aspiras à ascensão sublime
Na luz do amor, sem nunca esmorecer,
Guarda o lema da vida em toda parte:
- ajudar e esquecer.
Osório Pais
Do livro Antologia dos Imortais.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
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