Não condenes as vítimas da loucura e do sofrimento que se retiram do mundo pelas portas do suicídio.
Ninguém lhes viu talvez a luta insana. E não sabes até que ponto sorveram o veneno da angustia na taça de fel.
Faze silêncio, diante dos que caíram no paroxismo da desesperação e da dor.
Na batalha do mundo, quantos despem o manto de carne, roídos no âmago da alma pelas chagas de aflitivas desilusões.
Quantos procuram fugir ao nevoeiro do vale, arrojando-se às trevas do despenhadeiro cruel.
E, pedindo a paz do senhor para os que descem à sombra da rendição antes do triunfo, ora também pelos que armam as garras da treva contra si próprias no pelourinho da maldade e da calúnia:
Pelos que perturbam o caminho alheio, aniquilando a própria existência.
Pelos que perturbam o caminho alheio, aniquilando a própria existência.
Pelos que rendem culto à perversidade, consumindo-se na ilusão de que destroem o próximo.
Pelos que se afogam no charco da viciação.
Pelos que se entregam à inércia e pelos que perseguem e chicoteiam os semelhantes, cavando para si mesmo o túmulo de lodo em que hão de perecer.
Saibamos utilizar dificuldades na sublimação de nosso futuro.
A terra é um santuário de regeneração e de esperança para quantos lhe abraçam as lições com ânimo forte, consciência da misericórdia em que se fundamenta a divina justiça.
Dores aflição, provas e desencantos representam o material educativo do templo em que nos asilamos, à procura de fortaleza moral e de créditos imprescindíveis à continuidade de nossa viagem para Deus.
Não te confies ao cansaço ou ao desalento, na solução dos problemas que te afligem a marcha.
Renova-te na fé viva e no trabalho constante, inspirando-te na excelsitude do sol que te acompanha, a cada manhã prometendo-te, cada noite, o esplendor de um outro dia, que raiará sempre mais belo.
Caminha para diante, regozija-te com o sofrimento que te ajusta as contas e abençoa os obstáculos que te fazem mais experiente e mais nobre.
E unido à tarefa que o senhor te confiou, qualquer que ela seja, aprendendo e servindo, amando e lutando na construção do bem infinito, encontrarás, mesmo na terra, o manancial da vida abundante que te alimentará o coração na conquista da vida imperecível.
Livro: escrínio de luz
Emmanuel
Francisco Candido Xavier

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